Terreiro contemporâneo

Terreiro Contemporâneo abre benfeitoria para se manter na ativa

O espaço cultural solidário precisa de ajuda para não fechar

 

Sem investimento público, diante da pandemia, o espaço Terreiro Contemporâneo”, que já vinha carecendo de uma rede de solidariedade há alguns anos, passou a sofrer ainda mais com a paralisação temporária de suas atividades, quase fechando suas portas. Hoje, com o avanço da vacinação contra o vírus, o quilombo urbano almeja ampliar sua área em prol de uma missão: visibilizar e transformar vidas de artistas negros.

Para isso, o grupo artístico está realizando uma campanha online com o objetivo de captar recursos para a manutenção do espaço.
Situado na Lapa, no Centro do Rio de Janeiro, o Terreiro foi fundado pelo bailarino e coreógrafo Rubens Barbot e o coreógrafo e diretor Gatto Larsen, criadores da Cia Rubens Barbot, primeira companhia de dança negra contemporânea do Brasil. Com 25 anos de existência, funciona com o objetivo de acolher, lapidar talentos por meio da arte e manter o legado negro na cidade.

O Terreiro Contemporâneo de Dança se articula em espaços de imersão que reúnem pensadores, músicos, artistas visuais, dançarinos de danças patrimoniais, bailarinos acadêmicos, diretores de cena, coreógrafos e demais interessados na difusão de pensamentos, registros e publicações de obras produzidas com base no universo cultural negro – diaspórico e africano.

Danças negras no Brasil contemporâneo

A escassez de explanações conceituais publicadas sobre as experiências artísticas concentradas nas abordagens da afrodescendência no Brasil dificulta a reflexão sobre este aspecto das danças cênicas aqui produzidas em todos os tempos. Infelizmente, ainda de forma “guetificada”, discute esta questão, e como consequência, nas grandes plenárias, as colocações sobre o assunto são desconsideradas na ordem dos grandes temas, principalmente nas esferas onde são desenvolvidos mecanismos de provisão de recursos para as demandas da sociedade.

Em 2004, instituiu-se através de lei, Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. Visto por este prisma, a discussão da corporalidade afrodescendente a partir de reconhecimento de uma arte negra brasileira constitui um instrumento para exercitar esta determinação legal.
Segundo o ator, diretor e produtor cultural Jeff Fagundes, a campanha é de vital importância para manter o espaço de resistência negro aberto e garantir o legado da Cia Rubens Barbot, possibilitando que a sociedade civil participe desse local através de ingressos diante do cenário pandêmico, garantindo uma sustentabilidade para que resista até poder voltar às suas atividades, realize sua reforma e a construção do Teatro Chica Xavier, o primeiro teatro negro do Rio de Janeiro.
De acordo com Jeff, essa contribuição proporciona ainda a possibilidade da curadoria investir em obras teatrais e artísticas de grupos negros independentes do Estado. Neste sentido, a campanha será mensal, funcionando de modo recorrente e permitirá quitar as despesas mensais. Já os trabalhos apresentados no ambiente terão seus ingressos vendidos por preços sociais e alguns gratuitos.
Além da Confraria do Impossível, o quilombo contou com outros grupos teatrais como Emú, Corpo Cruzado e a Segunda Black, dentre outros. Diversas peças de teatro e dança já foram realizadas, caso do espetáculo Mercedes, do Grupo Emú, que conta a história da primeira bailarina negra do Teatro Municipal do RJ. Atualmente em cartaz na Arena do Sesc Copacabana, Mercedes faz parte da ocupação que homenageia a bailarina quando ela completaria 100 anos.

Espaço de captação e produção de potências negras, no ano passado, o Terreiro Contemporâneo ganhou o Prêmio Shell na categoria Inovação, mostrando sua referência no segmento da cultura do país. Para colaborar com o elo voluntário e fortalecer a reconstrução do centro cultural, basta acessar o link  https://benfeitoria.com/assineoterreiro.