Quem comandará 2021? Os Flintstones ou os Jetsons?

Os hoje sessentões tiveram uma infância ilustrada por dois desenhos animados hilários e antagônicos, mas complementares: os Flintstones e os Jetsons. O primeiro situava-se na Idade da Pedra e o segundo num futuro distante. Enquanto os Flintstones lidavam com as limitações de uma época sem maiores comodidades no cotidiano, os Jetsons viviam num futurismo onde a tecnologia era a protagonista: tinham babás & faxineiras eletrônicas, robôs e bugigangas domésticas que faziam todo o serviço, deixando-os à vontade para curtirem o lazer que os autores Hanna & Barbera vislumbravam para a Humanidade. Entre outras coisas incríveis, pilotavam automóveis voadores que usavam até para ir à padaria mais próxima.

Por seu lado, a família Flintstone (Fred e Vilma) vivia na cidade pré-histórica de Bedrock. Ele trabalhava numa pedreira, dirigia um carro com rodas de pedra, cuja propulsão provinha dos próprios pés, e tinha um dinossauro chamado Dino como animal de estimação. A família vizinha (Barney e Betty Rubble) eram seus amigos, e tinham um híbrido de canguru e dinossauro como animal de estimação, Hoppy. Com o tempo, surgiram Pedrita, a filha dos Flintstones, e Bam-Bam, filho adotivo dos Rubbles.

Recentemente, o Bradesco reavivou essas lembranças, produzindo um anúncio com os Jetsons para deixar claro que o futuro (pelo menos para os bancos) já tinha chegado.
O problema é que, enquanto uma pequena parcela do povo tem acesso a esses confortos futuristas, boa parte do planeta continua vivendo na Idade da Pedra.

Tudo começou quando a Ciência resolveu substituir o sistema decimal pelo binário, base para a inteligência artificial dos computadores, por exemplo, onde o método on-off predomina, criando uma inusitada parceria entre os Jetsons e os Flintstones.

A causa disso é que o micro caseiro provavelmente foi popularizado antes da hora. Ou seja: os inventores ficaram milionários, mas legaram a herança dos problemas para os usuários.

A primeira coisa que os técnicos de computador nos dizem é: Tira da tomada ou despluga o modem, tente outra entrada de USB. Na maior parte das vezes, não foi detectada a causa do que foi resolvido, apenas solucionado o efeito.
Toda vez que a Ciência trabalha no escuro, ela põe em prática o método da Tentativa & Erro. Depois de 30 tentativas e 29 erros, chega-se à solução.

Seria como se Deus tivesse detectado um erro na Humanidade que tinha acabado de criar e se perguntasse retoricamente: O que devo fazer? Mas aí uma voz vem das trevas e diz enfaticamente, num tom petulante: Desliga e liga de novo.
O sistema binário veio pra ficar, digitalizando tudo o que vê pela frente. Hoje, monitora nossa vida, limitando as opções e os recursos mentais dos cidadãos, e inviabiliza que estabeleçam a relação entre causa & efeito.

Qual mentalidade comandará o ano de 2021 e os subsequentes? A dos Flintstones, que, apesar de primitivos, eram pessoas sensíveis e engraçadas, tinham empatia, preservavam a natureza e os animais, não poluíam os rios e faziam comida em fogão a lenha? Ou a dos Jetsons, que eram babacas consumistas, adoravam a tecnologia, eram frios, tinham uma postura clean, não davam a menor importância à cultura, nunca foram vistos lendo um livro e provavelmente tinham sérias dúvidas se a Terra era redonda?

É possível que esses sessentões que assistiram aos dois desenhos animados hoje sejam diretores de teatro, gerentes de bancos, deputados, prefeitos e ministros. Ou seja: estão dos dois lados da questão: os que necessitam de verbas e quem as detêm ou deveriam lutar pela cultura. Saberemos em breve com qual desenho mais se identificaram.