O forte do espetáculo não é o texto, um tanto quanto melodramático, que não chega a causar grande impacto, mas “Uma relação tão delicada” certamente emociona e provoca identificação na plateia. Escrito pela atriz e dramaturga francesa Loleh Bellon e , adaptado por Rita Guedes, o texto cumpre sua função, emociona, levando mães e filhas às lágrimas e alguma risadas de cumplicidade.
A direção de Ary Coslov é tão delicada quanto o título da peça e provoca um transbordamento de afeto entre as personagens. A luz de Aurélio de Simoni cria climas pertinentes que sublinham a trama.
As atrizes é que são as responsáveis pelo melhor do espetáculo: Letícia Isnard apresenta sua personagem, a filha, em idades diferentes, com uma energia muito bem direcionada – uma adolescente e uma criança muito exigente com a mãe, como se ela fosse obrigada a preencher todas as suas carências, uma mulher madura que compreende que ser mãe é uma tarefa exaustiva e muito complicada.
Rita Guedes, idealizadora do projeto, sustenta bem seu papel, particularmente nos vinte minutos finais da peça, onde engrena sua camaleônica e paulatina transformação de mulher madura rumo à decadência física e mental de uma velha.
Uma Relação Tão Delicada é um espetáculo que merece ser visto por todos. Tem méritos para isso e uma equipe de primeira linha.
Uma relação tão delicada está no Teatro Vannucci, de sexta a domingo, até 22 de março de 2020.
Sinopse, ficha técnica, informações sobre a peça leia aqui.
